luveredas











{fevereiro 16, 2016}   Troia incendiada: ensaio crítico

The Trojan Women (1971) Trailer

thetrojanwomenmichaelcacoyannis1-2

Troia incendiada. Filhos arrancados das mães, por sua vez, levadas como escravas para diferentes regiões e distintos senhores. Muitas são sorteadas. Poucas escolhidas pelos chefes. Pó e cinzas. Ruínas de uma cidade outrora grandiosa, rica em ouro e cavalos… Diáspora troiana.

Em As Troianas (1961), Cacoyannis, mais uma vez, propõe uma reflexão crítica para dramas bem contemporâneos. Opondo-se à guerra, é exatamente dela que ele vai tratar, relendo um poeta que assume postura semelhante já na Antiguidade: Eurípides. Na fala das personagens e na voz em off do narrador, uma série de aforismos são lançados ao grande público, ao som de uma trilha marcante e por vezes, agonística.

 “O caminho do destino é o caminho do vento. Destino e vento, ambos sempre à deriva.”

“Sempre é nada. Nada… sempre.”

“Uma escrava do clamor de um homem.”

(Hécuba)

“O sangue cai dos templos sagrados.”

“Os gritos misturam-se aos lamentos.”

(Narrador – voz em off)

“Se ainda existem deuses, meu casamento será mais sangrento que o de Helena.”

“É uma verdade certa que a sabedoria rechaça a guerra.”

(Cassandra)

“Nunca a abandonaremos porque nossas raízes estão nela.”

(Coro de mulheres)

No cinema, a exemplo do que também ocorria no teatro grego antigo, assistiremos a diferentes versões de um mesmo mito ou mitos diversos, a maior parte deles já conhecidos do grande público (Édipo Rei, Electra, Helena, Medeia, Troianas, Hécuba, entre outros), interessando a seus realizadores (roteiristas, diretores, produtores, montadores) não uma fidelidade ao relato mítico ou aos textos trágicos, mas questões de maior monta, como “discutir sua atualidade temática”, conforme salienta o professor de língua e literatura grega da UFC Orlando Araújo no artigo Poderosa Afrodite: uma tragédia cômica, a partir do filme de Wood Allen. Nessa mesma linha, o professor de grego antigo da USP Christian Werner propõe uma comparação do filme As Troianas, de Michael Cacoyannis (falecido em 2011), à tragédia homônima de Eurípedes. Comentando o artigo do referido professor, a profa. Maria Cecília de M. N. Coelho assinala:

Sem se preocupar com uma noção ingênua de fidelidade, ele realça o que é mais interessante: os elementos que podem mostrar o significado e as implicações das opções do diretor ao levar o texto à tela, com variações significativas como as “mensagens políticas unívocas” e o desaparecimento das questões teológicas, destacando, ainda, que, diferentemente do filme, influenciado pelo contexto da guerra do Vietnã, a guerra na peça “conduz a um luto não apaziguável.” (Revista ARCHAI, núm. 7/Dossiê. Apresentação – Literatura grega e cinema. Julho 2011, p. 100)

Para o prof. Christian Werner, “a chave de interpretação proposta por  Cacoyannis  para sua releitura de Eurípides é explicitada na dedicatória final do filme: ‘aos que são contra a opressão do homem pelo homem’. No centro do filme está a postura criminosa do poderoso conquistador masculino contra mulheres e crianças inocentes e indefesas.” (p. 132). Sem dúvida, um clássico que faz jus a outro clássico, para além da guerra, do luto, da dor.

O cinema é uma reeducação pelo absurdo. Principalmente quando o cineasta sabe organizar o material de modo a produzir uma ficção mágica capaz de deflagrar a experiência reveladora. Para tal, ele deve seguir a “inteligência do próprio cinema”, desta máquina de sonhos, que nos demonstra a relatividade de tudo e a equivalência das várias formas possíveis. (XAVIER, Ismail. O discurso cinematográfico: a opacidade e a transparência. 3ª. edição – São Paulo: Paz e Terra, 2005, p. 110)

 

 

 

 

 





{janeiro 29, 2013}   Pina…

A palavra se gasta. Só a dança basta. “Dancem, dancem”, diria Pina, “se não estarão perdidos”.



{março 26, 2012}   Entre risos e lágrimas

Entre risos e lágrimas.



et cetera