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{dezembro 14, 2016}   Moniz Bandeira: Objetivo dos EUA é anular a soberania dos Estados nacionais

As classes sociais existem, as lutas sociais prosseguem, porém suas características não são mais iguais às dos tempos de Marx e Engels ou de Lenin e Trotsky, ao tempo da Revolução Russa. E o fato é que, atualmente, as grandes corporações, à procura de fatores mais baratos de produção, de condições de investimentos mais seguras, estáveis e lucrativas, transferiram suas plantas industriais para os países da periferia do sistema capitalista e daí exportam o que fabricam, as manufaturas, para os mercados das próprias potências econômicas, das quais haviam emigrado. A produção industrial da Europa e dos Estados Unidos se processa, em grande medida, offshore, em países como a Índia e outros da Ásia, onde a força de trabalho é muito mais barata.

Assim o setor terciário superou a indústria na Europa, nos Estados Unidos e até no Brasil, onde gera mais empregos e concentra investimentos que nos setores primário (campo, extrativismo etc.) e secundário (manufatureiro).

E o que se chama de esquerda tem de estudar e compreender. Quanto à desordem, que ocorre no Brasil, só posso dizer que resultou de um lawfare, uma guerra jurídica, urdida por interesses alienígenas e fortes setores do empresariado nacional, explorando o descontentamento das classes média, ao fazer aflorar a podridão do Estado profundo, a fim de atender a interesses corporativos e do capital financeiro internacional.

Leonardo Boff

Há poucos analistas-pensadores que nos podem orientar dentro do caos nacional e internacional no qual estamos todos mergulhados. Um dos mais notáveis analistas brasileiros, de reconhecimento internacional, é Luiz Alberto Moniz Bandeira que ainda neste ano de 2016 publicou um livro notável pela abundância das informações A desordem mundial. Reproduzimos aqui uma entrevista dele recentemente dada à revista Opera a Pedro Marin 23 de novembro. É esclarecedora e orientadora.  Lboff

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Nascido em Salvador, Luiz Alberto Moniz Bandeira mudou-se para o Rio de Janeiro ainda jovem, publicando, aos dezenove anos, seu primeiro livro. Integrante do Partido Socialista Brasileiro, onde foi um dos fundadores da corrente Política Operária (Polop), foi perseguido durante o regime militar, tendo se exilado no Uruguai no ano de 1964.

Em 1965, volta ao Brasil e passa a viver clandestinamente em São Paulo. Foi preso político por dois anos, de novembro de 1969 a outubro de 1970…

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