luveredas











Uma ética da Terra não se sustenta sozinha por muito tempo sem esse supplément d’ame que é a vida do espírito. Ela nos convoca para o alto e para ações salvadoras e regeneradoras da Mãe Terra.

Leonardo Boff

Se é verdade que os transtornos climáticos são antropogênicos, quer dizer, possuem sua gênese nos comportamentos irresponsáveis dos seres humanos (menos dos pobres e muito mais das grandes corporações industriais), então fica claro que a questão é antes ética do que científica. Vale dizer, a qualidade de nossas relações para com a natureza e para com a Casa Comum não eram e não são adequadas e boas.
Citando o Papa Francisco em sua inspiradora encíclica Laudato Si: sobre o cuidado da Casa Comum” (2015): “ Nunca maltratamos e ferimos a nossa Casa Comum como nos últimos dois séculos… Essas situações provocam os gemidos da irmã Terra, que se unem aos gemidos dos abandonados do mundo, com um lamento que reclama de nós outro rumo”(n.53).
Esse outro rumo implica, urgentemente, uma ética regeneradora da Terra. Esta ética deve ser fundada em alguns princípios universais, compreensíveis e praticáveis por todos. É…

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SIMULACRO | Direção: Miguel Moura | Ficção, 9 min, Rio de janeiro, 2015. Um homem e sua TV.

 

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Três figuras masculinas atravessando e sendo atravessadas por uma profunda solidão. Três diferentes formatos e gêneros que tratam e retratam, à luz do enquadramento fílmico,  o ser e estar só. Em pauta, três curtas da Mostra Extensão.

Em “Simulacro”, de Miguel Moura (2015, 9′), exibido no Festival de Cannes 2015, o aparente registro documental dá lugar à ficção com um tema que lhe é recorrente: o que é real? A vida num apartamento, enquadrada, em suspensão. O que se ouve é tão-somente propaganda, salvo quando o protagonista se posta diante do espelho e nesse ou desse ambiente reverbera um som estridente, ou quando, finalmente, solta um grito. Desenho de som, câmera e cor traduzem essa atmosfera de um lugar aparentemente cheio, mas vazio de sentido (s). Uma vida consumida diante da TV, do computador, do celular, do tablet. Não demora para surgirem as olheiras, as cáries; a dependência química assoma. Qual o sentido da torneira, da pia, do vaso, do chuveiro, do espelho reiteradamente mostrados em meio a cortes e ruídos? A resposta constitui um paradoxo: a vida reproduzida ou refletida na tela da TV (“Show de Truman”, 1998, Peter Weir, BBB…). O virtual toma as rédeas, levando o malfadado homem contemporâneo a assumir uma postura simiesca, talvez primeva, se pensarmos na evolução da espécie humana. Em vez do osso que dá lugar à galáxia de Kubrick, outro é o espaço revelado por Miguel Moura: o de um homem duplicado na teletela, regurgitando as próprias entranhas da solidão.

“Ed” (Animação, RS, 2013, 14′), de Gabriel Garcia, é um drama metalinguístico, notadamente um estudo de personagem, que conta a história de um coelho cinquentão em conflito existencial. A fábula traz muitas referências, especialmente fílmicas, uma delas, talvez não intencional, mas que parece possível é Donnie Darko, um filme norte-americano de 2001, dos gêneros ficção científica, drama e horror escrito e dirigido pelo estreante Richard Kelly. Embora Ed não tenha nada de monstruoso, sua estranheza e afastamento em relação aos demais permitem aproximá-lo do personagem vivido por Jake Gyllenhaal em Donnie Darko.
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Um dos traços marcantes do filme de Gabriel Garcia é a elegância no movimento de câmera, sugere plano-sequência numa das tomadas, lembrando as aberturas de David Fincher, como em Clube da Luta (1999). Não menos elegantes são as passagens de cena, revelando a sintonia entre roteiro, edição e direção, resultando, enfim, num belo trabalho de montagem. Há nuance de cores para cada momento retratado. Predomina o melancólico azul quando Ed Coelho se encontra só. A trilha sonora, pautada por ruídos, barulho de chuva e música incidental, realça a narrativa construída sem diálogos. O que aparentemente figura sem relação (cena de assalto a banco, cena doméstica, cena área de guerra, cena de boate…) ganha clareza com o deslizar da câmera em cena no camarim: cartazes com paródias de filmes, fotografias, objetos pessoais. Também sugestiva é a cena em preto e branco de filme antigo com sapateado. Surge depois de imagem desfocada. Bastidores revelados, angústia ampliada: o pontilhado cinematográfico é silenciado por um estampido.

O terceiro e último filme da Mostra Extensão é o documentário de Leo Tabosa, “Tubarão” (2015), um voyer de banheiros públicos profundamente afetado pela morte do companheiro, um surfista carioca vitimado por um tubarão em Recife, onde decidiram morar. O filme fala sobre perdas e ganhos, sobre língua e cultura, sobre a dor da saudade. A deliberada intenção de não mostrar o rosto do entrevistado, mesclada aos enquadramentos, ofuscamentos, locação, fotografia e som, sugere a prática que mantém vivo, em parte, um estrangeiro radicado no Brasil. Não se vê como criminoso ou doente, afinal, onde começa e termina a curiosidade que pode, ou não, se confundir com promiscuidade? Quem, de fato, é vítima ou predador? A resposta compete a cada um.



O céu sob as lentes de um menino. Ele tem duas opções: olhar para cima ou para baixo. Num dos seus registros fotográficos, já rapaz, o inusitado tem lugar e pode mudar, sem querer, sua rotina. Este é o mote do curta de animação “O Céu no Andar de Baixo”, escrito, dirigido e produzido por Leonardo Cata Preta, que também assina a animação com Marcone Loures e Adriane Pureza. As vozes são de Eduardo Moreira, a música de Daniel Nunes e o desenho de som de Ronaldo Gino. 35 mm.
Exibido e premiado em diferentes festivais e mostras, como o Festival Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira, em sua 14ª edição; o 21º Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema e a Mostra Brasilis – 9º Curta Santos, o filme conta a história de Francisco, que sofre de uma doença rara no pescoço, reservando-lhe a condição de só olhar para o céu ou para o chão. Desde os doze anos de idade, ele faz registros dos fatos importantes de sua vida com fotografias do céu, seu ângulo preferido, pois lhe parece mais bonito e menos hostil. O de baixo, que o faz ver melhor onde pisa, também traz à luz um mundo mais feio e sujo, compartilhado com seu fiel companheiro Pereba, um cão vira-lata por quem se afeiçoou ainda na infância.
A voz em off do narrador que tanto apresenta quanto interpreta os personagens remete a outro curta-metragem, também de 15’, um documentário que faz uso de diferentes recursos gráficos e fotográficos para contar uma história (ou descrever um fato para muitas famílias ainda presente ou muito real) à luz da História e, com isso, fazer uma denúncia social. Trata-se do filme “Ilha das Flores” (1989), de Jorge Furtado, com narração de Paulo José. Também o curta de Catapreta mescla técnicas digitais de animação 2D, que ora lembram colagem, dada a superposição de imagens, presente em outros de seus trabalhos, como “Da Tripa, Coração (TucA)”, animação de 2014, com música de Arnaldo Antunes. Em ambos os trabalhos do realizador mineiro, imagens evocativas – de filmes e cineastas, como Tim Burton, Miyasaki, Furtado – conferem certa marca do seu trabalho: sombras, meias listradas em pares de pernas alongadas, peixes, aranhas. Em um, a música; no outro, a narração dão o tom, imprimem o ritmo da história, também atravessada por momentos de silêncio e uma equilabrada e funcional trilha sonora.

“O amor nasce de sementes distraídas que brotam ao acaso.”

Imagens em paralelo, desenho e microfilmes, traços que beiram o grotesco: a opção (ou opções) do diretor e roteirista reflete (m) e faz refletir sobre a vida de quem vê a vida de cabeça para baixo ou para cima, ou ainda de pernas para o ar. Um jovem negro, que usa aparelho ortopédico e é avesso às demais pessoas em função da aversão que muitas também lhe dispensam, descobre-se, num lance inusitado, apaixonado por uma vizinha. As emoções desse primeiro encontro evocam outro impressionante trabalho, desta vez do mundo das artes plásticas, do qual Catapreta também faz parte. A aranha que toma forma a partir de uma calcinha remetem a Louise Bourgeois e seus desenhos, litografias e esculturas, notadamente Maman (1999), instalada em diferentes cidades do mundo (Paris, Londres, Rússia, Nova York, Rio de Janeiro)


Não por acaso “O Céu no Andar de Baixo” recebeu elogios e prêmios da crítica e do público por onde passou. Melhor roteiro, animação, fotografia, trilha sonora, filme, diretor, menção honrosa figuram entre os principais. Sutil, delicado, por vezes ácido ao personificar objetos e partes do corpo, como os pés, lança um olhar curioso sobre as diferenças e como lidamos com elas, sobre ser e estar no mundo, sobre o que vemos e o que nos olha. Se as raízes são a zona obscura do amor”, “a copa da frondosa árvore é a boaventura do amor”.

Luciana Sousa (Francisca L. S. da Silva) é mestre em Literatura Comparada pela UFC. E-mail: luveredas@yahoo.com.br


{janeiro 29, 2016}   Sob um céu nublado

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Ponta dobrada de um rabo inerte

Só o vento, quando sopra, move-a.

Salta de uma caixa malajambrada

Mal esconde o fedor…

Uma, duas vezes, a mesma inércia,

Piora o odor…

Sobre ela um tampo de papelão é posto

Esconde a sombra da sombra.

Até que, na terceira vez,

o corpo inchado de um gato preto

se revela sob um céu nublado.

Jaz à beira do asfalto.

Já se desfaz…

(Lucy-Chan, Fortaleza, 28.01.2016)


29 DE JANEIRO DE 2016 POR PORTALASSISTIVAITSBRASIL
Comissão aprova padronização de calçadas para circulação de pessoas com deficiência
A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara
dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 8331/15 , do Senado, que
padroniza as calçadas para facilitar a circulação, em vias públicas, de
pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

Para cumprir esse objetivo, a proposta acrescenta, na Lei da
Acessibilidade (Lei 10.098/00), o conceito de “passeio público”,
definido como a parte da via pública destinada à circulação de qualquer
pessoa e à instalação de placas e equipamentos de infraestrutura.

O texto explicita também normas que devem ser respeitadas na construção
ou no reparo desses locais.

Conforme o projeto, os materiais utilizados deverão ter superfície
regular, firme e antiderrapante. As obras devem ainda prever a
existência de faixas de piso tátil e observar requisitos de
permeabilidade para drenagem urbana.

Além disso, a parte das calçadas destinada à circulação de pessoas
possuirá largura mínima de 1,20 metros. Já a porção usada para
instalação de placas e equipamentos terá largura mínima de 70
centímetros e trará rebaixamentos para acesso de veículos.

Ainda de acordo com a proposta, nos trechos do passeio público formados
pela junção de duas vias, serão asseguradas condições para passagem de
pessoas com deficiência, bem como boa visibilidade e livre passagem para
as faixas de travessia de pedestres.

A relatora na comissão, deputada Carmen Zanotto (PPS-SC), recomendou a
aprovação do texto. “O acesso ao espaço urbano deve ser irrestrito e
igualitário. No entanto, a ocorrência de barreiras físicas de
acessibilidade impede a movimentação de pessoas com deficiência e outras
que possuem dificuldades de locomoção”, disse a deputada.

“Toda a população possui o direito de usufruir a cidade e, portanto, é
preciso que se garanta a inclusão dessa parcela considerável dos
cidadãos na vida urbana, com prerrogativa da adequada locomoção em áreas
públicas. As cidades deveriam ser planejadas para as pessoas, as quais
primordialmente caminham”, complementou Zanotto.

Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo , será analisado ainda pela
Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:
* PL-8331/2015

Fonte: Agência Câmara Notícias ‘

Portal Nacional de Tecnologia Assistiva

A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara
dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 8331/15 , do Senado, que
padroniza as calçadas para facilitar a circulação, em vias públicas, de
pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

Para cumprir esse objetivo, a proposta acrescenta, na Lei da
Acessibilidade (Lei 10.098/00), o conceito de “passeio público”,
definido como a parte da via pública destinada à circulação de qualquer
pessoa e à instalação de placas e equipamentos de infraestrutura.

O texto explicita também normas que devem ser respeitadas na construção
ou no reparo desses locais.

Conforme o projeto, os materiais utilizados deverão ter superfície
regular, firme e antiderrapante. As obras devem ainda prever a
existência de faixas de piso tátil e observar requisitos de
permeabilidade para drenagem urbana.

Além disso, a parte das calçadas destinada à circulação de pessoas
possuirá largura mínima de 1,20 metros. Já a porção…

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blog da Revista Espaço Acadêmico

praxedesWALTER PRAXEDES*

A figura de São Francisco de Assis há mais de oito séculos vem cativando a admiração e o respeito não apenas entre os católicos, mas também em artistas, cineastas, escritores, acadêmicos e até fiéis de outras confissões religiosas.

Essa reverência a Francisco também parece crescer na medida em que se tornam praticamente inacessíveis as fontes com informações seguras sobre a vida, os pensamentos e as ações do santo que nasceu em Assis (Itália) em 1181 ou 1182 com o nome de Giovanni Bernardone, e faleceu em Porciúncula, em 1226, um ano depois de compor o seu famoso Cântico do irmão sol, sendo canonizado pelo Papa Gregório IX apenas dois anos depois da sua morte.

Mas como enfatizou o historiador Jacques Le Goff, toda a trajetória de Francisco passou por inúmeras revisões por parte dos seus seguidores, membros da Ordem religiosa que fundou e da própria Santa…

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Portal Nacional de Tecnologia Assistiva

Projeto de pesquisadores amazonenses ‘elimina’ figura do guia em provas de atletismo paralímpico.

Você já imaginou um atleta cego correndo sem a ajuda de um guia no atletismo? Parece algo impossível, mas está próximo de se tornar realidade. Um dispositivo criado por pesquisadores do Amazonas vai permitir que paratletas com deficiência visual se guiem sozinhos nas pistas. O projeto ‘Meu Guia’, fruto de uma pesquisa cooperada de profissionais de diferentes instituições, quer implementar a tecnologia já nas Paralimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016.
A concepção do projeto durou cerca de dois anos. “Era um sonho meu criar essa tecnologia. Com o tempo, outros pesquisadores foram aderindo à ideia. Oficialmente o grupo conta com 20 pessoas, mas isso se estende para 40 professores, pois há uma parceria interinstitucional”, disse a professora e pesquisadora da Pró-Reitoria de Pesquisa e Extensão da Universidade Nilton Lins, Ana Carolina Oliveira, que é coordenadora do…

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Portal Nacional de Tecnologia Assistiva

Pessoas com deficiência poderão chegar até as Corredeiras, um dos atrativos do parque através do caminho suspenso de madeira com 230 metros.

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, inaugurou a primeira parte da trilha suspensa com acessibilidade. Por meio dela, pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida poderão chegar até as corredeiras, um dos atrativos do parque, podendo aproveitar a oportunidade, inclusive, para tomar banho no local.
“Devido ao perfil das trilhas atualmente existentes, apenas uns poucos visitantes com baixa mobilidade ou com algum tipo de deficiência física tiveram a oportunidade de conhecer o parque. E é pensando nesse público que estamos finalizando a trilha suspensa”, disse Carla Guaitanele, chefe da unidade de conservação gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
A trilha suspensa é feita de madeira, possui 230 metros de extensão e leva até um mirante de onde se pode visualizar as corredeiras…

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Héstia não significava somente a lareira acesa do lar ou da cidade. Também designava o centro da Terra onde está o fogo primordial. Hoje não é mais crença mas dado científico. No centro há ferro incandescente. Logicamente, quando se estabeleceu o heliocentrismo e se invalidou o geocentrismo, houve uma abalo emocional para o pensamento de Héstia, a Casa Comum. Mas lentamente ele foi reconquistado. Se a Terra não é mais o centro físico do universo, ela continua sendo o centro psicológico e emocional. Aqui vivemos, nos alegramos, sofremos e morremos. Mesmo indo aos espaços exteriores, os astronautas sempre revelavam saudades da Mãe Terra, onde tudo o que é significativo e sagrado está lá.

Hoje temos que resgatar a Héstia, dar centralidade à razão cordial, torná-la a protetora da Casa Comume manter seu fogo vivo e conferir-lhe sustentabilidade. Não estamos rendendo-lhe as honras que merece, por isso ela nos envia seus lamentos com o aquecimento global e as calamidades naturais. Não devemos rebaixar Héstia como mero repositório de recursos mas como a Casa Comum que deve ser bem cuidada para que continue a ser nosso Lar aconchegante e benfazejo.

Leonardo Boff

Atualmente há toda uma nova forma de interpretar os velhos mitos gregos e de outros povos. Ao invés de considerar os deuses e deusas como entidades subsistentes, agora cresce a hermenêutica, especialmente, após os estudos do psicanalista C.G. Jung e seus discípulos J. Hillman, E. Neumann, G. Paris e outros, de que se trata de arquétipos, vale dizer, de ancestrais forças psíquicas que nos habitam e movem nossas vidas. Elas irrompem de forma tão vigorosa que os conceitos abstratos não conseguem expressá-las mas que o são mediante relatos mitológicos. Neste sentido o politeísmo não significa a pluralidade de divindades, mas de energias que vibram na nossa psique.

Um desses mitos que contem um significado profundo e atual é aquele da deusa Héstia. Segundo o mito, ela é filha de Cronos (o deus do tempo e da idade de ouro) e de Reia, a grande mãe, geradora de todos os seres…

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blog da Revista Espaço Acadêmico

WALTER PRAXEDES*

fig 1

Foi por acaso que encontrei Alguém que anda por aí em uma pequena biblioteca de bairro que frequentava quando tinha quinze anos. O título aparentemente despretensioso me provocou o impulso imediato de emprestar e ler aquele livro. Ansioso por logo chegar em casa e começar a lê-lo, caminhava pelas ruas segurando-o nas mãos e às vezes arriscando ler algumas linhas rapidamente.

fig 2

Já se passaram trinta e cinco anos desde aquela tarde do verão de 1980. Eu nem imaginava que aquele escritor que desconhecia, naquele mesmo ano dava as suas Aulas de literatura na Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, ensinando a arte de contar histórias com significados infinitos, quer seja na forma do conto, do romance ou das curtas, irreverentes e divertidas narrativas que compõem a obra do escritor argentino Julio Cortázar.

E eis que recebo pelo correio um livro encomendado pela internet com aquelas Aulas de…

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et cetera